No pouco tempo de residência fora do Brasil tenho percebido que, com o passar do tempo, a prática da vida cristã tem-se diluído em todos os lugares onde a Palavra de Deus é de uso apenas de poucos pregadores/Pastores e a oração já não faz parte do contexto pessoal. Com isso tanto igrejas como seus membros expõe-se a muitos perigos, incluindo-se o esfriamento da fé e do amor.

Também fica muito mais comum passar-se desapercebido em muitas igrejas a diferença entre CONTEXTUALIZAÇÃO e SECULARISMO.

O primeiro refere-se ao caminhar natural da igreja na historia da humanidade, pelo uso dos recursos que não dão a impressão que o grupo ficou parado na história, ou seja, desatualizado.

A Igreja não pode ser vista como formada por pessoas que não leem (por isso nada sabem), usam tochas para iluminação e tocos de árvores como bancos. O mundo oferece muitos recursos para conforto e utilização didática, mas a essência da prática cristã, do evangelho puro e simples, da vida de comunhão vivida na Igreja original não deve sofrer mudanças face ao grande leque de oportunidades que efetivamente fazem diferença entre uma e outra comunidade de adoradores.

A essência da vida dos cristãos no início da jornada é relatada nos textos de: Atos 2:42-47 (...) e perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos. Atos 4:32-35 Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma, e ninguém dizia que coisa alguma das que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. Com grande poder os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça. Pois não havia entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam terras ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que vendiam e o depositavam aos pés dos apóstolos. E se repartia a qualquer um que tivesse necessidade.

Essa prática é a marca da verdadeira igreja e dos verdadeiros adoradores em qualquer época e em qualquer lugar.

Secularismo refere-se ao envolvimento com as práticas deste mundo – ao qual fomos enviados para ser sal e luz – onde, pela sua prática, fica difícil ao expectador distinguir se o grupo ou o lugar que se reúne é cristão ou não.

Podemos detectar essa sutil influência quando se ouve as seguintes expressões dos que não passaram eficazmente pelo discipulado: “Não tem nada a ver”, ou “Todos os outros grupos fazem isso”, ou “O pessoal gosta”.

Daí, sem o devido cuidado, dentro das Igrejas e em suas festas, vemos práticas pagãs transvestidas de folclore cultural, ou venda de “milagres” ou a atração que o brilho dos holofotes dá. Daí ver-se muitos Papais Noel, árvores de natal, guloseimas no periodo de 27 de setembro (Dia de Cosme e Damião), chocolate no período da Páscoa, a coincidente “Festa na Roça” no período de Junho/Julho e, ainda, os Mega Shows “Gospel”, com direito a tietagem, autógrafos e outros comportamentos de fãs para com seus ídolos.

Ainda há os que insinuam milagres e prosperidade para receber adeptos (Sim. Esse é o termo correto, pois os adoradores não precisam disso). Milagres não estimulam a fé; mas a fé produz milagres. A busca da prosperidade como um fim estimula a avareza; mas a caridade nos exclui das advertências encontradas no texto de Tiago 3:14-18.

Sim. Temos deixado de lado a reflexão bíblica quanto ao assunto quando não aplicamos os textos: Mateus 5:13-16 Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Romanos 12:1,2 Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. 1 João 2:15 Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.

Minha oração é que ao postar isso, provoque uma real e leal reflexão, mesmo que de alguns ainda se ouça: “Não tem nada a ver”, “Todos os outros grupos fazem isso”, ou “O pessoal gosta”.

Não podemos “vender” a qualquer custo os espaços nos bancos das nossas igrejas, com “atrações” sem as quais o pessoal não vem. Lembremos que quem é atraído por programações, o dia que elas não ocorrerem, ou ficarão em casa assistindo/envenenando-se com a TV, ou buscarão essas atrações em outra igreja secularizada.

Nosso compromisso deve ser com a Palavra de Deus conduzindo os crentes para uma verdadeira adoração, como verdadeiros adoradores. Isso sempre será fruto de evangelismo e discipulado nos moldes utilizados pela Igreja original.

Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós.

Rev João Alfredo da Cunha Santiago – Pastor Colaborador

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